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Fatos Coloridos e Máscaras

Também os fatos, caracterizados por serem preenchidos por fileiras de franjas de lã de ovelha, coloridos, tingidos artesanalmente, efeitos a partir de colchas “de casinha” (padrão típico transmontano) tecidas na aldeia, passam a ser feitos a partir de outros materiais (por exemplo, lãs sintéticas e colchas de padrão diverso, adquiridas na feira), em consequência da escassez e/ou desuso dos recursos tradicionais. No entanto, na feitura dos fatos mantém-se o desenho “original” conhecido, e a utilização de cores atualmente mais comum, é o amarelo, o verde e vermelho, remetendo às cores da bandeira nacional (a par destas podemos encontrar ainda o azul, o rosa ou o preto em alguns fatos mais antigos).

O fabrico de fatos e máscaras, ao longo do ano, é ainda uma prática que gera e fortalece relações de interajuda. Em particular, o fabrico do fato, mais trabalhoso do que a máscara, é habitualmente feito percorrendo várias “mãos”. O processo começa com a aquisição de colcha e lãs, passa pela feitura das franjas à mão ou em pequenos teares “de grade”, pelo corte e cozimento do fato (hoje feito por costureiras, fora da aldeia, após o desaparecimento da única alfaiataria que ali existia), e termina com o “enfranjar” à mão (cozimento das franjas no fato). Assim, até estar completo, o fato poderá incluir o trabalho de várias pessoas (dentro e fora da aldeia).

O impulso natural que este fabrico artesanal de fatos e máscaras recebe da realização anual da festa de Carnaval, é ainda muito importante para a dinamização local em torno da festa e a partilha de conhecimentos sobre esses “saberes fazer”. Os “produtores” das máscaras e das franjas ganharam com o tempo estatuto de artesãos e são assim vistos conjuntamente como os membros da comunidade transmissores de um conhecimento mais profundo sobre a festa e os elementos tradicionais associados a ela.

No entanto, em face da emigração da maioria da população e do envelhecimento da população residente, a esta mão-de-obra disponível na aldeia é associada mão-de-obra externa. A Associação do Grupo de Caretos de Podence tem assumido aqui um papel de mediador, e dando resposta a pedidos vindos da população descendente emigrada, tem contratado também a produção de fatos junto de outros artesãos da região (por exemplo, costureiras da zona de Miranda do Douro, que habitualmente produzem também outros trajes regionais).

Já a produção de máscaras, cujo processo é mais simples e pode ser trabalhado apenas por uma pessoa, continua a ser maioritariamente assegurada pelos artesãos na aldeia, que as fabricam quer para os caretos, quer também para venda durante a festa, a turistas e visitantes, como elemento representativo e simbólico da festa. O fabrico da máscara, por ser um elemento do traje mais simples e de produção mais personalizável, sugere também uma maior dinâmica relacional entre os mais velhos e os mais jovens; quer porque os mais jovens procuram reproduzir traços tradicionais associados aos trajes antigos procurando para isso o saber dos mais velhos (é este por exemplo, o caso de um jovem que recentemente recuperou a confeção de máscaras em couro, feitas anteriormente pelo avô); quer porque introduzindo pequenas distinções vão “modernizando” o design da máscara ou inovando mesmo as técnicas de produção (retomando o exemplo anterior, ao mesmo tempo que recupera o fabrico artesanal de máscaras em couro, introduz novidades, como o uso de tintas, com cores menos habituais como o verde o amarelo ou o preto, e a utilização de novas ferramentas).

O traje do careto é completado ainda por duas bandoleiras de campainhas que cruzam na parte frontal do tronco e das costas, e por um conjunto de 4 a 8 chocalhos que levam à cintura. São estes elementos, também de produção artesanal e que hoje vem sobretudo da região alentejana, que produzem a sonoridade associada aos caretos, pautada pela correria e pela sua ação de chocalhar. Isoladamente ou em grupo o careto produz uma certa e particular “musicalidade” que segue os ritmos da sua ação física, anunciando por exemplo, a sua chegada, ou a vivacidade com que chocalha as pessoas.

Por vezes serve também de apoio à atuação do careto uma bengala ou um pau de ponta arredondada e saliente, utilizado para elevar o corpo quando saltam, para aceder às varas de fumeiro e roubar alguma chouriça, ou simplesmente para “brincar” e fazer barulho.

As máscaras, fatos e chocalhos, e bengalas ou paus, são também elementos que passam de geração em geração, e que servem de empréstimo entre familiares, amigos e vizinhos, circulando normalmente entre várias casas da aldeia durante a festa e/ou de ano para ano.
TRAJE

1- Carapuço ou garruço
2- Máscara ou careta
3- Bandoleira
4- Campainha
5- Colcha
6- Franja de lã
7- Pau
8- Botas
9- Rabo
10- Casaco
11- Ponta do rabo
12- Cinto
13- Chocalhos
14- Calças

MÁSCARA

1- MÁSCARA EM cabedal
2- MÁSCARA EM latão